Bem como o nome sugere, o texto em questão é realmente uma arma para nossos ouvidos
e em especial para nossa alma. Uma bomba da mais suave, pura e doce
criatividade. Uma granada da delicada energia de
Jack White.
Blunderbuss
é o álbum solo de Jack e traz um rock com nuances do blues, do country, do
folk, do jazz. White mostra neste disco que a energia do rock'n'roll pode muito
bem ser acompanhada pelo piano, pelo violino, por um piano clássico.
Revolucionando e mostrando mais um tom de sua paleta de criatividade, Jack
White prova que consegue fazer rock da maneira mais simples com guitarra e
bateria, com o glorioso
White Stripes, e com uma banda de mais de cinco
instrumentos diferentes. A versatilidade está aliada há uma imaginação ímpar e
um ouvido espetacular.
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| She put the ice up on my tongue and then it melted away |
As músicas do álbum são, geralmente, curtas. Dois minutos e meio... Três.
Parecem pequenas pílulas para um vício que vem naturalmente com o passar das
músicas. As músicas têm temas corriqueiros de Jack: amor, mulheres, viagens (alcoólicas
ou não)... É possível perceber as influências de
Led Zeppelin em White,
entretanto, esse álbum veio como com uma afirmação pleonástica do talento dele.
Jack é, para mim, o artista ícone em criatividade do último século.
Missing Pieces abre o álbum e de primeira, choca aqueles que estão
acostumados com a guitarra suja de Jack White. Um piano, um leve toque na
bateria, um riff simples na guitarra. Mas a música mostra a riqueza que a
banda, de mulheres, deu ao nosso caro amigo. Vocais que se aliam e tornam-se um
e a música vai ganhando consistência em nossos ouvidos.
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| You took me to a public place to quietly blend into |
Logo depois,
Sixteen Baltines chuta a porta e traz de volta a mesma
essência de White Stripes. A mudança de tons na voz de Jack, os jogos vocálicos
aliados com a guitarra distorcida, bateria com sequência simples, letra
contundente. Essa música é pra acalmar o ouvinte que conheceu Jack em outras
versões, mostrando que, apesar da delicadeza que uma banda acompanhada por um
violino, ele ainda é um roqueiro irredutivelmente. No entanto, para quem nunca
o ouviu, essa música é para mostrar que ele é capaz de tal proeza.
Freedom at 21 é uma das minhas favoritas. Acho que nessa música, Jack
cria o podemos chamar de 'rap blues'. Um baixo suave, uma guitarra com noises
sutis e uma bateria que não poderia ser melhor trabalhada para o que a música
pede. Palavras rápidas de contundentes jogadas entre um acorde e outro. Tema:
mulheres, mulheres, mulheres...
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| I wont let love disrupt, corrupt or interrupt me |
Logo vem uma música de calmaria novamente. Gosto da forma que o disco foi
organizado e como as faixas foram dispostas. Enfim, vem
Love
Interruption. Uma voz doce, linda e forte vem acompanhada a voz destoante
de Jack. O violão e o piano são cama para que essas vozes pulem e consigam dar profundidade
a uma das letras mais lindas que já ouvi.
Homônimo ao álbum,
Blunderbuss começa com toques sutis num violão
acústico, logo depois, um piano começa a ser tocado como quem toca uma mulher
que já conhece. A música traz tranqüilidade à medida que a curiosidade da história
lunática da letra cantada cresce. A música o consagra, mesmo que ainda não
tenha acabado o álbum. A pureza e harmonia que os instrumentos se arranjam com
voz, sentimento e palavras colocados enriquecem o ouvinte.
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| But if you’re thinking like i, i think you’ll see that you’re mad at you too |
Hypocrital Kiss tem um pouco das características de Freedom at 21,
com uma letra meio que falada, mas em questão de acidez nas palavras, não há
música no álbum como ela. O mais impressionante para mim, é como ele consegue
deixar a música agridoce, com frequentes riffs no piano e a letra que ela tem.
O mesmo se repete em
Weep Themselves to Sleep, mas com uma roupagem mais
clássica.
I'm shaking lembra o rock'n'roll dos anos 50, tanto pela melodia da
música, pelos vocais, pela guitarra que range bem menos, pela letra que ao
mesmo tempo é inocente e maliciosa, pelos cocais femininos no fundo, pelas
palmas que substituem as cordas nos momentos certos. Solos agudos não poderiam
faltar, não quando se trata de Jack White.
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| I got a feelin' my minds in the sky |
Trash Tongue Talker... Bem, para ser sincera, eu não ouvi tantas
vezes para poder passar alguma impressão dela. Ouçam e compartilhem idéias.
Hip (Eponymous) poor boy,
On and On and On e
Take me with
you when you go, são as músicas com mais referencias clássicas do álbum.
Pianos preenchem todas as músicas, e tirando a última, mantém um ritmo linear,
sem muitos agudos ou mudanças como nas outras músicas.
I guess I should go
to sleep também traz muitas referencias clássicas. O piano é o que mais
conversa durante a música e os vocais que acompanham Jack nos levam aos bordéis
norte-americanos dos anos 30.
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| She don't care what kind of wounds she's inflicted on me |
O disco é iluminado, uma síntese do que Jack White tem pra oferecer ao
mundo. É rico e tem de tudo um pouco. Rock, Jazz, Blues, Rap, com tons de azuis
e vermelhos, como não poderia deixar de ser. Bom para ouvir com os amigos, com as
amigas, com os amores, sozinho com café. Recomendável também com vinho e outras
drogas. Servir quente.
*Curiosidade: Na capa do disco, Jack aparece com um corvo nos ombros.
Trata-se de seu animalzinho de estimação.