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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Brasília X Utopia

  

  Olá fonofílicos!
  O vídeo que segue abaixo é sobre o documentário Rock Brasília, do diretor Vladmir Carvalho, e trata da cena do rock daqui, focando a era de ouro, os anos 80. Nessa década, surgiram aqui desse cerrado tão urbano, bandas que estão em foco até hoje, como Plebe Rude e Legião Urbana.
  Sem dúvida, os anos 80 foi fértil para o rock nacional. Engenheiros do Hawaii, Titãs, RPM, Paralamas (chegando um pouquinho antes, no fim dos 70), Barão Vermelho... Essas bandas são até hoje, consagradas e  são fundamentais para todos os ouvintes do bom rock'n'roll. Elas vinham carregadas de boas letras, ainda sofrendo com os resquícios da censura, elas de fato levavam a bandeira do rock por onde iam. Nessa época também foi dado início à um sonho (que hoje parece um pouco perdido, mas é assunto pra outra hora...) chamado Rock 'n' Rio.
  Brasília foi uma fonte de ótimas bandas (tirando Capital Inicial, que... né)! E claro que eu não poderia de citar aqui Legião Urbana, que além de influenciar outras bandas até hoje, também influencia no modo de pensar e agir. E isso sim, é rock'n'roll!
  Não havia nada melhor! Era tudo o que hoje queremos. Ouvir boa música na rádio, NÃO ver artistas se prestando à cada papel numa TV provinciana e vazia, poder curtir e revolucionar com a melhor trilha sonora que o rock nacional pôde presenciar.
  Saber desse documentário fez com que me perguntasse: E hoje? Como nós brasilienses, candangos, moradores de cidades satélites, periféricos desse pequeno avião no meio do mapa estamos carregando o nome do rock aqui? E... É com muito orgulho que hoje não venho para criticar, reclamar e apontar. Hoje venho de boca cheia e brilho nos olhos me sentir orgulhosa com o que temos em termos de rock em BSB. SuperRock, até o finado Radical Rock, Rock Sem Fronteiras, Sarau Psicodélico, Porão do Rock, os shows no BlackOut, no Blues Pub, no Cult22, Ferrock, as páginas do Zine Oficial... Nossa! E tudo num circuito underground, do it yourself...  E o que dizer das bandas? Coliformes Fecais, Galinha Preta, Quebra-Queixo, 5 generais, Stoner Baby, Marmitex S/A, Gonorants, Tributo à Led Zeppelin (que juro, é o Led Zeppelin do cerrado) Podrera... Todas excelentes dentro do seu gênero e o massa, todas acessíveis. Aqui o rock é de todos, para todos, para quem quer e para as "Donas Eulálias" da vida. Sobretudo, é o estilo rock'n'roll de vida. É rock desde o cara que anda de bike, ao bêbado que paga coca-cola em troca de umas músicas dos Beatles, é um rapper que gosta de Slipknot (e entende a banda), é o grupo de quadrinistas que colocam no papel o que são e não o que querem ser, é o pessoal que sem CNPJ ainda faz seus eventos, é levantar um show de rock de uma pracinha, de um parque de exposição, é dormir enrolado no carpete do palco... É viver o rock na sua essência, e é isso o que temos feito. É com grande orgulho que mostro à vocês, Rock Brasília, ninguém segura essa utopia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Orkut Ao Vivo

  Correm boatos na internet que o Orkut é a prova da falência da Google. Algo que só pessoas sem conteúdo tem. A escória das redes sociais se esconde atrás de um "O" roxo-rosa. Porém, uma iniciativa muito bacana foi a criação da comunidade Orkut Ao Vivo, que nada mais é que uma comunidade gerenciada pela Equipe Orkut e pela a Equipe Youtube, todos da mega-equipe Google, que promete postar algumas entrevistas ao vivo de alguns intérpretes da música brasileira uma vez por mês. A interação de fã e artista facilita muito a compreensão do conteúdo do artista, sem falar do leque de oportunidades e a visibilidade que esse app vai dar pra quem der entrevista.

  A primeira entrevista vai ser da cantora Pitty, que estará lançando o seu dvd Trupe Delirante que foi gravado no Circo Voador em dezembro de 2010. O dvd tem um apelo circense, não só pela escolha do local para a gravação, mas o contexto dele é regado de alegorias. Se pararmos pra pensar, a banda Pitty é um grupo de artistas itinerantes, nômades, que estão todo dia em um lugar, armando sua lona e fazendo seu show. Logo, uma Trupe... quanto ao "delirante" deixo pela interpretação de vocês.

  O dvd também conta com uma música inédita que surgiu nas gravações do álbum Chiarouscuro, a Comum de Dois, que há algum tempo atrás foi disponibilizado pela cantora no twitter. De todas as músicas, essa é mais fantasiosa. Também há algumas participações especiais como a de Brunno Cunha e Fábio Cascadura na música "Sob o Sol" e o Hique Gomez no violino durante a música "Água Contida".

  É a primeira vez que temos um lançamento de um álbum numa plataforma da Google e diga-se de passagem, tem uma visão de marketing "da porra", sendo o Orkut a rede social mais utilizada no país. Claro que poderemos ver também coisas como Parangolé ou Os avassaladores nisso, mas por hora está até indo muito bem. A entrevista de pré-lançamento no Orkut Ao Vivo vai ao ar no dia 10, às 20h30min. Enjoy.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Caê ta no Veloso.


 Faz um tempo que procuro a intensidade que encontrei no Veloso. Ora tão baianamente calmo, dizendo suas palavras com uma voz tranqüila e doce, ora entrando nos meus ouvidos como quem entra numa casa sem dono e sem medo.
 Há pouco eu ainda dizia que não gostava por não conhecer, então fui apresentada ao , disco dele de 2006, que me proporcionou uma degustação de tudo o que Caetano significa, não só como o cantor que revolucionou o cenário musical brasileiro, mas me deu a impressão de conhecê-lo intimamente, como aqueles amigos que se conhecem em bares.
  O disco é uma mescla de guitarras distorcidas, com palhetas marcadas, bateria acelerada e um baixo insano, lembrando toda a violência e vivacidade do rock'n'roll, com a voz calma e tranquila de Caetano. Letras fortes, diretas, sexuais, íntimas... Lembram uma conversa informal, um jogo de relações ainda não muito bem estabelecidas.
  Os arranjos musicais é uma atração à parte. Cada acorde, cada nota, parece ter sido propositalmente pensada para mergulhar o ouvinte em um extase hipnótico. As sensações das músicas, que ora tão sutis e ora tão extravagantes, não são inseridas no ouvinte, mas ao contrário, insere-o nela. Você se percebe dentro das músicas, em meio as notas doces, letras pesadas e vice-versa.
  A intensidade do álbum é notável! Para os que já conhecem e admiram Caetano, o disco tão cheio de complementos e experimentos traz um novo frescor, um novo sabor. É um revival musical. Para os leigos, é um banquete de pequenas porções do que Caetano Veloso, enquanto músico, e um almoço de grandes pratos do que Caetano Veloso, enquanto ser humano.
  O álbum se inicia com a música Outro, que por sua vez se inicia com a palheta marcada, guitarra levemente distorcida, bateria nervosa e um baixo que me lembra alguns rocks dos anos 50. A música ainda tem um apelo teatral e um solo de lembrar os ruídos tranqüilos de Jimmy Page. A letra é uma atração à parte e em uma palavra eu resumiria em esplêndida! Vemos essa irreverência e agressividade simpática em outras músicas como Rocks, Musa hibrida, Odeio, Homem, O herói... E esta última é de fato uma poesia com acompanhamento. Creio que é uma das críticas mais amargas e bem elaboradas que já pude ouvir.
  Logo depois, temos um choque com uma música de levada tranqüila, com um baixo que de tão rápido, lembra o som de um clássico violoncelo. Uma música blue, Minhas Lágrimas. É como quando bebemos café quente e logo depois um copo de água gelada. A voz de Caetano agora tem maior destaque nessa música. A impressão que tive é que a melodia é apenas um acompanhamento, para uma poesia recitada, novamente. Então seguem músicas mais intimistas e calmas, que ganham uma leve distorção, trazendo a cara do blues à memória. Assim como ela, Não me arrependo, Um sonho levam as mesmas características. 
 Dentre as músicas está Waly Salomão que não tem muitas distorções, é uma música que é marcada intensamente pelo bumbo da bateria. Algo que lembre Mercedes Benz. Letra crítica e direta. E outra que é muito interessante é a Porquê?, que é uma repetição de duas ou três linhas de letras que falam muito mais que um discurso político.
 E do disco, posso destacar como melhor música para mim, Deusa Urbana. Essa estímulou uma das coisas mais lindas da vida de uma pessoa: Ser tratada pela música. Sabe, caros leitores, creio que a música é a única coisa de fato sobrenatural. O poder que ela exerce sobre as pessoas não tem explicação. Não há como descrever com exatidão a sensação que a música pode nos dá. Deusa Urbana é a música do álbum que mais me falou ao pé do ouvido. Uma música que fala com você olhando nos olhos, sem máscaras ou sarcasmo.
 O disco é intenso, denso, forte, gritante! Música que bate na sua cara e grita: Seja homem! Música que te chama para um café num fim de festa. Música que te veste e aquece. Música que tira sua roupa e te chupa com notas sutis. Música te ferve. Música que te esfria. Sem dúvida, esse disco foi um dos melhores presentes que pude me dar e um dos melhores remédios já receitados pra mim. Degustem...