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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os quatro valetes

Uma re-postagem do finado #musicmonday. Por AK.

Valete de Paus
Ele nasceu em 1942 e aprendeu a tocar piano com sua mãe em uma Igreja perto de sua casa. Inglês, formou uma das bandas de rock 'n' roll de maior sussesso nos anos 60: Rolling Stones. Brian Jones realmente era um eximio guitarrista. Um dandista, como todo bom inglês. Excentrico e inovador. Apesar de vermos sempre Rolling Stones com o frontman sendo Mick Jagger, não se pode esquecer da maneira irreverente de Jones usar a música clássica no rock, indo de frente à outra banda inglesa que também se destacava nessa mesma época, The Beatles. Mas junto todo o talento dele, havia um vício pelas drogas incontrolável, que acabou por fim, tirando a sua vida. Em 03 de julho de 1969, o mundo deu seu adeus à um dos grandes nomes do rock. Um guitarrista singular, morreu afogado na sua piscina. As dúvidas que os fãs e alguns especuladores fizeram na época, foram todas confirmadas. Frank Thorogood confessou o crime em 1993 em frente ao túmulo de B. Jones. Morto aos 27 anos.

Valete de Espada
Nasceu em Seattle em 1942, já com a promessa de um grande homem. Jimi Hendrix, um deus. Dominava a guitarra maravilhosamente, por amar a música acima de todas as coisas. Um trabalho árduo e prazeroso. Saiu dos EUA por falta de incentivo, para a Inglaterra, onde conseguiu o que queria: ouvidos. Ouvidos dispostos a ouvir sua música, complexa e simples. Quente e tranquilizadora. Veio então a The Jimi Hendrix Experience. Apresentaram-se no Monterey Pop Festival, onde Jimi mostrou o que realmente sentia ao tocar: tesão, fogo e paixão. O que se teve nessa mistura, foi a gloriosa performance de JH no evento, ao queimar sua guitarra no palco, após um longo amor com ela. Jimi disse a imprensa que era um sacrifício, e quem contestará. Ainda não satisfeito com isso, Jimi emocionou a todos os que continuaram persistindo nos tres dias de Paz, Amor e Música, numa fazenda no interior de Bethel. Jimi fez do hino nacional americano, um protesto, um ode ao evento e aos seus ideais, o qual foi ensaiado durante meses em sua cabeça, em seu coração, em lugares distantes. Marcou a vida de milhões de fãs e até hoje arremata milhões com seus solos impossíveis, suas escalas incríveis e sua voz que não canta, mas declama suas canções. Jimi deixou a Terra em 1970, dois meses antes de seu aniversário de 28 anos. Em 27 anos, transformou a Terra, as pessoas, os humanos, a forma de se ver a música e de se apreciar a arte. Morreu em um hotel, engasgado com o próprio vômito. Nada ainda foi muito explicado, deixando fãs sempre com um peso ao se falar da sua morte. Morto aos 27 anos.

Valete de Copas
Voz rouca, força nos pulmões. A alma escorria nos lábios. Vida e morte sempre andando de mãos dadas. Janis Joplin saiu de casa aos 17 anos, juntou-se com amigos que eram poetas, músicos. Viveu uma vida de altos e baixos. Little girl blue, tinha no palco a presença de mil homens, mas seu coração era amargurado por milhares de amores mal-sucedidos. Janis será eternamente lembrada pelas milhares de barreiras que enfrentou para um dia está em cima de um palco. O preconceito de ser mulher, o preconceito de ser uma branca cantando com negros, a vida louca que vivia. Todos os pesos presos aos seus pés, fez com que ela se afogasse em drogas. Os seus shows eram verdadeiros espetáculos! Primeiro pela sua voz e segundo que eram únicos. Aos fim de sua carreira, Janis exagerava na bebida em cima dos palcos e acabava contando seus problemas. Era único, singular, puro! VERDADEIRAMENTE LINDO. Janis realmente não tinha um voz aceita por muitos na época e sua Junkie Life era desconhecida por muitos, apesar de ser muito questionada, mas Janis enfrentava tudo isso para passar música para todos. Como ela mesma dizia: "É só música, não fique triste, é só música..." Dizia isso para milhares de pessoas que a assistia, querendo dizer isso para si mesma. Janis morreu em seu quarto de hotel em 1970, por uma overdose de heroína. Morta aos 27 anos.

Valete de Ouro
Um poeta que transformava suas poesias em letras de música. Jim Morrison nasceu em 1943, numa família rigorosa, tradicional. Jim, mesmo assim, tomou para si, seus próprios ideais, opostos aos que seus pais lhe passavam. Boêmio, seguiu para Califórnia onde formou The Doors, banda cujo nome foi tirado de um dos livros de Huxley, "The doors of perception". Jim sempre queria conhecer novas sensações, novos povos, novas coisas essa curiosidade crônica transformou-o num descobridor, quase um solucionador de mistérios. Jim criava para si pseudônimos como "Mr. Mojo Risin", na música LA Woman. Jim tomou The Doors para si como família. Havia cumplicidade e amor entre eles, coisa que por ideais opostos, não havia em sua família. Verdadeiramente um poeta, um amante da arte que fazia. Porém, assim como os outros, seu pecado foi a bebida, além do consumo excessivo de drogas e sexo. Jim Morrison, viveu intensamente seus poucos anos de vida. Jim Morrison também morreu em seu quarto de hotel, em 03 de julho de 1970. Morto aos 27 anos.


Os quatro "J's" nos deixaram aos 27 anos. Todos, em menos de 3 anos (69, 70, 71). Os quatro Valetes de um baralho que mistura talento, alma, fogo, paixão, psicodelia, tristeza e mistério.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

No Wave




Todo movimento artístico, político, religioso ou seja lá do que for, de grandes dimensões, sempre tem um lado mais radical.

Pode-se dizer que no caso do punk, nos anos 70, foi o no wave, cujo termo é um trocadilho com new wave, um gênero mais comercial do punk e, para muitos, traidor, hehe...

Mas os caras desse movimento eram muito mais inconformados com o que estava acontecendo do que pareciam.

Apesar das letras contestadoras, dos berros e das cuspidas na cara de fãs, para eles o punk era apenas uma retomada ao rock simples dos anos 50, então soterrado pelas toneladas de virtuosismo do progressivo. Os riffs dos Sex Pistols eram apenas Chuck Berry em 45 rpm. Optaram, então, por uma filosofia de rejeição, de não-pertencimento a qualquer movimento. Mergulhararam numa nova ordem subversiva e incatalogável.

Numa Nova York muito diferente da de hoje, para quem a considera um paraíso terrestre, o epicentro dessa turma era o "Iower east side", bairro tomado por prédios abandonados para onde migravam artistas plásticos, músicos, escritores, atores, traficantes e perdidos em geral. Nova Iorque não estava destinada a ser palco de limitações estilísticas e o punk constituia apenas uma parcela do terreno reservado ao novo. Na cidade, os clubes fervilhavam de jazz, world music, calypso, discoteca, funk e música de vanguarda. Havia também o hip hop e o grafite que então nasciam. Muito dessa cena pode se vista no filme downtown 81, um grande registro da época.



As bandas no wave levavam tudo ao extremo. Se o punk se valia de três acordes, rejeitando o virtuosismo, bandas como DNA, Mars e Teenaje Jesus simplesmente socavam seus instrumentos. Seus shows demoravam no máximo quinze minutos. Era uma explosão de ruídos.

O principal registro disso tudo foi a coletânea "No New York", lançada em 1978 e produzida por Brian Eno que, inspirado pelo que estava vendo e ouvindo, decidiu produzir um LP com as melhores bandas locais. O disco reúne quatro bandas - James Chance and the Contortions, Teenage Jesus and the Jerks, Mars e DNA-, que contribuíram com quatro faixas cada uma...





James chance and the Contortions

Uma figura-chave na no wave, Chance desempenhou uma combinação de improviso jazz com música punk na cena musical de Nova Iorque.
"...se diferenciava de alguns de seus colegas do no wave por possuir (e exigir de sua banda) um certo nível de habilidade musical e talento. Sua música pode ser descrita como uma combinação da improvisação de Ornette Coleman com a firmeza rítmica de James Brown, embora filtrados pela lente (grande angular) do punk rock." Martin C. Strong diz. No palco, enquanto soprava seu sax em riffs punks, simulava ataques esquizofrênicos e, não raro, atacava o próprio público.









Teenage Jesus & the Jerks


Foi uma influente banda de pós-punk de Nova Iorque dentro do chamado movimento no wave, fundado por Lydia Lunch, que já foi garçonete do CBGB, e pelo saxofonista James Chance. O grupo se notabilizou por suas apresentações de dez minutos preenchidas com músicas de "treze" segundos, porém com letras inusitadas e criativas. Com isso, Lunch procurava levar a música para além do tradicionalismo do punk rock.









Mars


Seu estilo abrangia desde o ambient até a noise, caracterizando-se por letras surrealistas e uma bateria fora dos padrões convencionais. Nenhum dos membros tinha conhecimento musical algum, e eram completamente inexperientes antes de formar a banda.

O vocal se constitua de um emaranhado de grunhidos. Nem parece que cantavam inglês Talvez uma língua morta de alguma civilização perdida...















DNA


Para mim, a melhor banda do movimento, formada em 1978 pelo guitarrista Arto Lindsay, um americano de coração brasileiro, fã de tropicália, que passou anos no Brasil com os pais, missionários, e o tecladista Robin Crutchfield.

Ao invés de tocar os seus instrumentos de forma tradicional, eles focaram-se em fazer sons únicos e incomuns. Buscavam um minimalismo extremo, com guitarras esparsas e vocais às vezes gritados, outras vezes sussurrados Sua música foi descrita como de reposição, barulhenta e angula,r e foi comparada com algumas do Captain Beefheart e até mesmo Anton Webern .









No New York

No New York, mais do que um grande disco, representa um estado de espírito. Nenhuma das bandas veio a ter uma carreira de sucesso, mas seu inconformismo e sua busca pelo novo inspiraram muita gente. Ecos da no wave podem ser ouvidos em Sonic Youth (em grande proporção), Flaming Lips, Swans, e até mesmo em grupos mais novos como LCD Soundsystem, Rapture e TV on the Radio.









Sonic Youth




Fenômeno-relâmpago, crê-se que a No Wave tenha terminado com o fim DNA em 1982, perfazendo um total de quatro anos de existência

Ouvidos "abridos" aí vai:

As quatro músicas do dna da compilação no new york

Uau! Ótima musica pra se iniciar um otimo disco, free-jazz e punk entrelaçados

Baixe No New York:

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Brasília X Utopia

  

  Olá fonofílicos!
  O vídeo que segue abaixo é sobre o documentário Rock Brasília, do diretor Vladmir Carvalho, e trata da cena do rock daqui, focando a era de ouro, os anos 80. Nessa década, surgiram aqui desse cerrado tão urbano, bandas que estão em foco até hoje, como Plebe Rude e Legião Urbana.
  Sem dúvida, os anos 80 foi fértil para o rock nacional. Engenheiros do Hawaii, Titãs, RPM, Paralamas (chegando um pouquinho antes, no fim dos 70), Barão Vermelho... Essas bandas são até hoje, consagradas e  são fundamentais para todos os ouvintes do bom rock'n'roll. Elas vinham carregadas de boas letras, ainda sofrendo com os resquícios da censura, elas de fato levavam a bandeira do rock por onde iam. Nessa época também foi dado início à um sonho (que hoje parece um pouco perdido, mas é assunto pra outra hora...) chamado Rock 'n' Rio.
  Brasília foi uma fonte de ótimas bandas (tirando Capital Inicial, que... né)! E claro que eu não poderia de citar aqui Legião Urbana, que além de influenciar outras bandas até hoje, também influencia no modo de pensar e agir. E isso sim, é rock'n'roll!
  Não havia nada melhor! Era tudo o que hoje queremos. Ouvir boa música na rádio, NÃO ver artistas se prestando à cada papel numa TV provinciana e vazia, poder curtir e revolucionar com a melhor trilha sonora que o rock nacional pôde presenciar.
  Saber desse documentário fez com que me perguntasse: E hoje? Como nós brasilienses, candangos, moradores de cidades satélites, periféricos desse pequeno avião no meio do mapa estamos carregando o nome do rock aqui? E... É com muito orgulho que hoje não venho para criticar, reclamar e apontar. Hoje venho de boca cheia e brilho nos olhos me sentir orgulhosa com o que temos em termos de rock em BSB. SuperRock, até o finado Radical Rock, Rock Sem Fronteiras, Sarau Psicodélico, Porão do Rock, os shows no BlackOut, no Blues Pub, no Cult22, Ferrock, as páginas do Zine Oficial... Nossa! E tudo num circuito underground, do it yourself...  E o que dizer das bandas? Coliformes Fecais, Galinha Preta, Quebra-Queixo, 5 generais, Stoner Baby, Marmitex S/A, Gonorants, Tributo à Led Zeppelin (que juro, é o Led Zeppelin do cerrado) Podrera... Todas excelentes dentro do seu gênero e o massa, todas acessíveis. Aqui o rock é de todos, para todos, para quem quer e para as "Donas Eulálias" da vida. Sobretudo, é o estilo rock'n'roll de vida. É rock desde o cara que anda de bike, ao bêbado que paga coca-cola em troca de umas músicas dos Beatles, é um rapper que gosta de Slipknot (e entende a banda), é o grupo de quadrinistas que colocam no papel o que são e não o que querem ser, é o pessoal que sem CNPJ ainda faz seus eventos, é levantar um show de rock de uma pracinha, de um parque de exposição, é dormir enrolado no carpete do palco... É viver o rock na sua essência, e é isso o que temos feito. É com grande orgulho que mostro à vocês, Rock Brasília, ninguém segura essa utopia.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

In Between Days



Acordo às dez e meia. Sempre neste mesmo horário a mais de uma semana. sempre com uma dor de cabeça desgraçada. Escuto as discussões corriqueiras de meus pais, sempre por coisas inúteis, ligo o computador o barulho de seus coolers é hipnotizante e começo a cambalear sonolento meus olhos coçam e tentam fechar-se por si mesmo, mas forço-os para não o fazer, digito a senha, o estalar das teclas de meu velho teclado é quase que musical pra meus ouvidos. Dois cliques com o botão direito do mouse, e o player de musicas debulha se diante de meus olhos um círculo luminescente de um leve lilás gira carregando as mais de 15 mil músicas em meu HD, em sua barra de pesquisas eu digito pos-punk, e o player escava uma torrente de musicas coloco-as em reprodução aleatória e maravilhosamente ou talvez coincidentemente o player toca in between days, fico a cambalear entre o eu desperto e o eu do sonhar. Embalado pela voz maravilhosa do Robert Smith, meu pai bate na porta acusa-me de certas procrastinações e afirmo ser inocente ate que provem o contrario, coisa que sempre conseguem fazer, olho os ossos pendurados em minha parede ao lado de um recorte de revista com minha musa Carol Trentini, ela me encara com seus olhos claros refletindo a luz da câmera que capturou sua antropofágica beleza, o olhar dela e tão enigmático que parece traçar o papel e vir de encontro ao meu. Um vento fortíssimo entra em meu quarto repentinamente levanta o recorte que revela uma fotografia minha três por quarto com bigodes de Salvador Dali feitos a nanquim os ossos balançam e ao chocarem-se uns contra os outros emitem um barulho aconchegante e tenebroso olho para a janela o sol fortíssimo, fazia meus olhos arderem pelo sono talvez, já tem mais de uma semana que não fumo, nem bebo, nem uso nenhum tipo de entorpecente, sinto-me estranho. Com o uso dessas coisas sentia que mostrava o verdadeiro eu aos outros ficava mais alegre, menos calado, e mais lascivo, mas agora me sinto preso a responsabilidade de encontrar e saber quem realmente sou. Ainda sinto um ódio profundo por não estar mais tocando. Sinto muita falta dos eventos, sinto falta de estar em cima do palco, sinto falta das pessoas gritando enquanto solava, sinto falta do VS (Visual Shocker), sinto muita falta de pintar. Estou sem pinceis a mais de três meses e o que me resta e escrever estas merdas em meus textos eu pareço tão interessante, pobre Lia Luft, levanto-me da cadeira que se arrasta preguiçosa vou à janela olho as nuvens, adoro vê-las adoro suas formas polimorfas adoro seu mover vagaroso fazem-me pensar que elas mesmas regem seu próprio tempo sua inconstância me atrai de uma maneira aqui indescritível, dou as costas a elas dirijo-me a sala, vazia apenas os dois sofás com seus panos enrugados com suas marcas de traseiro, a estante empoeirada, a decrépita caixa de elétrons, o calendário de deputado próximo a fotografia de meu bisavô espanhol e de meu falecido tio João, meu pai era João, meu tio que ainda vive é João, todos seguidos de Ruas e Filho, e apenas um bastardo que tem o nome de Cristiano, mas também seguido de Ruas. É estranho como as pessoas se vão parecem ficar apenas nas fotos, eu queimei as fotografias de meu pai, não quero velo já basta olhar pro meu rosto.

Chego ao telefone digito o numero de meu amigo somos estranhamente parecidos, o que nos diferencia é a altura e a cor, mas se tirassem nossos cérebros de nossas caixas cranianas e os pesassem o dele seria mais pesado, vou apertando vagarosamente 3-3-3-9-2-3-2-3 sinto os pulsos insistentes do chamar do telefone, sua Irmã atende:

“Alô?”

“oi, com licença o Devana está?”

pera aí

Ouço o telefone ser colocado sob a mesa ou que quer que seja que elas usam pro mesmo repousar ouço seus singelos paços em direção do quarto do mesmo, parece parar na porta, ouço-a dizer:

“Devana Telefone.”

Um silêncio momentâneo. Ouço o caminhar, enfadonho talvez entorpecido por suas playlists magníficas. Ouço ao fundo “lobão tem razão...”, penso comigo “concordo plenamente”, o telefone começa a estalar uma voz cavernosa diz:

“Alô?”

“E aê Devana beleza?”

Não sei dizer se ao certo eu digo mesmo esta frase, mas foi à única que consegui imaginar.

“E aê Sakuro, Beleza?”

“Beleza.”

“E aí cara e as novidades?”

“Nada mudou, mas sei que alguma coisa aconteceu.”

“hum...”

“Mas e ai cara você já leu meu texto?”

“A sim só comecei, mas ia lê-lo agora.”

“Sua opinião sobre o mesmo?”

“A assim pelo telefone fica paia véi, quando eu tiver lido ele todo e quando nós nos encontramos de novo eu falo beleza?”

“Maça.”

“Devana estou com medo e confuso cara.”

“Ochi por quê?”

“Não sei esse é o problema.”

“desculpa cara eu tenho que ir...”

“ow calma aê tu ta deprê. É?”

“Não estou estranhamente feliz.”

“Que bizarro cara, mas por que você ta confuso, e por que se ta com medo?”

“Esse é o problema não tenho idéia do por que. Falou velho tenho que ir.”

“Tá hoje no curso nos vemos né?”

“Com certeza.”

“Então até.”

“Falows.”

“Falou...”

O telefone profere seu clique incestuoso largo-o sob seu leito de plástico e poeira. Sento-me no sofá fico observando os desenhos abstratos no meu teto, enxergo uma moça abraçando um chifre de rinoceronte signo central do meu universo surrealista, encurvo-me para frente coloco meus cotovelos sob os joelhos fico a observar meus pés fico a admirar meus dedões que são um pouco inclinados um “podologista” disse que era por que eu sou um grande sonhador, achei isso legal. O telefone toca o pego rapidamente, digo a palavra chave, perguntam-me se aqui mora uma Cibele digo que não conheço nenhuma porra de Cibele a pessoa do outro lado pede desculpas e diz que era o numero errado e desliga na minha cara. Fico meio atordoado devolvo o telefone a seu repouso fetichista. Meu visinho começa a ouvir músicas evangélicas, dou um grito alto “PUTA QUE PARIU DE NOVO!” ele eleva ainda mais o volume torturando-me com aquela merda exaltando coisas que ele nunca terá. Vou ao meu quarto fecho a janela, depois fecho seus vidros, depois fecho a porta, aumento o volume de meu computador, pego o final da Wrong Number do The Cure onde o Robert Smith diz:

“Sorry wrong number...”

Encosto minha cabeça contra a escrivaninha, com minha face direcionada ao monitor, e embebido por sua luz efêmera, adormeço...



Quando vender era preciso...

Antes de você ter acesso a livros, revistas, jornais, videos, músicas, filmes e peças de teatro através da internet e seus anexos, tudo era feito de maneira mais complicada e cara. 

Era caro pra gravar um disco, escrever e publicar um livro, fazer uma foto, etc, etc e tal...

Nessa época "distante", uma grande banda de rock se alastrou pelos quatro cantos da terra, levando o bom e velho rock'n'roll para adolescentes e jovens do mundo. 

Essa banda Chamava-se The Doors. Com os solos lisérgicos dos teclados de Ray Manzareck, acompanhado de Robby Krieger (guitarra), John Densmore (bateria) e as loucuras do líder com personalidade forte e escandalosa, Jim Morrison, o The Door's alcançou fama e reconhecimento no mundo todo, e isso sem o auxilio da internet ou das redes sociais, vendendo inúmeros k7, Ep's e LP's.



No Brasil, um popular qualquer, aproveitando as classes sociais mais baixas fez, se não o mesmo, algo parecido, vendendo seu trabalho para empregadas domésticas que, em termos de difusão, funcionam mais do que qualquer rede social.

Teve seus sucessos divulgados pelos quatro cantos do país tupiniquin, vendendo muito mesmo.Vocês, caros leitores, podem até não gostar, mas eu acredito que conheçam uma ou duas ou, quem sabe, até mais de três músicas desse ícone que, por mais que perturbe os ouvidos de alguns, já serviu de inspiração para muitos apaixonados, unindo e desunindo diversos casais. Talvez você não existisse se não fosse por amado batista... ou não é?

Com vocês, senhoras e senhores, Amado Batista e seus teclados também lisérgicos hehehe:



When The Music Is Over


"When the music is over,
Turn off the lights."

Jim Morrison





Quando a música acaba... apagam-se as luzes. Maneira clichê de começar um relato, não?

Entretanto, a música, assim como o cinema e a filia, é um agregado de clichês funcionais, convenções que comunicam, e sem as quais a mensagem não teria força.
Existem canções e canções. Existe bossa nova e rock'n'roll. Algumas canções são suas preferidas. E outras... também são suas preferidas, ora! Não é assim? É assim na música, no cinema e na filia.
Amigos.... neste inverno, eu me apaixonei perdidamente por uma canção. Foi como todas as paixões avassaladoras por canções: começa contigo vendo o título da música. O título te agrada e você quer conhecê-la, custe o que custar. Então você coloca ela pra tocar e...
Oh, não era tão legal. Vamos tentar outra.
Mas aí, você já está com a maldita primeira música na cabeça e resolve ouvir de novo. Hum.. parece legal. Vamos cantando para ver no que vai dar. Você baixa a letra da música, você assiste os vídeos, analisa a performance ao vivo e, quando menos percebe, está viciado, completamete viciado, a ponto de não conseguir dormir se não ouvir uma vez mais aqueles sons que tanto te mexem.
A canção que estive ouvindo neste inverno era uma canção negra e linda, de formas voluptuosas, olhar lânguido e, até certo, ponto indolente, cabelos espiralados e uma certa infantilidade encantadora. Parecia feita pra mim. Muita vez causou-me arrepios e orgamos. Muita vez me deixou com poluções noturnas. Muita vez me deixou de lábios mordidos. Oh, doce canção... Parecia o som dos deuses, vindo direto do planeta Vênus, ou da deusa Vênus. Apolo que perdoe. Dionísio, tomai de conta.
Mas certas canções tem muita... dinâmica.
Sabe Carmina Burana? Desse tipo. Cheia de sobes e desces... de bravatas e calmarias.
E sabe quando você ama uma musica por completo, mas não gosta do solo?
Oh! Aquele solo bizarro e desajeitado da versão ao vivo, com aquele overdrive mal regulado... que te deixa realmente chateado.
Sim, esta canção tinha um solo que me irritava profundamente, era um solo agudo e estridente, com uma certa insatisfação na execução. Parecia feito pra irritar. Era como uma cobrança, era como alguém frustrado por alguém que não foi a sua festa de aniversário, e trazia à tona todas as imperfeições da canção...
Mas não adianta! quando se vicia numa canção, não se quer que ela acabe nunca. Mas, sabe... Uma hora, a gente cansa, enjoa, e quando menos se espera...
A canção acaba, com remorso, mas sem dor.
Um sinistro acorde final finaliza a canção, encerrando um ciclo.
Foi bom, muito bom enquanto durou.
Foi lindo, e pode vir a ser de novo, mas acabou.
e nós nem dançamos! Mas betemos muita cabeça, e pulamos.
A música acabou... Apaguem as luzes!
A música acabou... mas o show está só começando...


d.b v/v/mmxi ii:xxix - Legião, toda a discografia. Redescobri um sabor antigo. ótimo cancioneiro para celebra o fim de uma canção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Orkut Ao Vivo

  Correm boatos na internet que o Orkut é a prova da falência da Google. Algo que só pessoas sem conteúdo tem. A escória das redes sociais se esconde atrás de um "O" roxo-rosa. Porém, uma iniciativa muito bacana foi a criação da comunidade Orkut Ao Vivo, que nada mais é que uma comunidade gerenciada pela Equipe Orkut e pela a Equipe Youtube, todos da mega-equipe Google, que promete postar algumas entrevistas ao vivo de alguns intérpretes da música brasileira uma vez por mês. A interação de fã e artista facilita muito a compreensão do conteúdo do artista, sem falar do leque de oportunidades e a visibilidade que esse app vai dar pra quem der entrevista.

  A primeira entrevista vai ser da cantora Pitty, que estará lançando o seu dvd Trupe Delirante que foi gravado no Circo Voador em dezembro de 2010. O dvd tem um apelo circense, não só pela escolha do local para a gravação, mas o contexto dele é regado de alegorias. Se pararmos pra pensar, a banda Pitty é um grupo de artistas itinerantes, nômades, que estão todo dia em um lugar, armando sua lona e fazendo seu show. Logo, uma Trupe... quanto ao "delirante" deixo pela interpretação de vocês.

  O dvd também conta com uma música inédita que surgiu nas gravações do álbum Chiarouscuro, a Comum de Dois, que há algum tempo atrás foi disponibilizado pela cantora no twitter. De todas as músicas, essa é mais fantasiosa. Também há algumas participações especiais como a de Brunno Cunha e Fábio Cascadura na música "Sob o Sol" e o Hique Gomez no violino durante a música "Água Contida".

  É a primeira vez que temos um lançamento de um álbum numa plataforma da Google e diga-se de passagem, tem uma visão de marketing "da porra", sendo o Orkut a rede social mais utilizada no país. Claro que poderemos ver também coisas como Parangolé ou Os avassaladores nisso, mas por hora está até indo muito bem. A entrevista de pré-lançamento no Orkut Ao Vivo vai ao ar no dia 10, às 20h30min. Enjoy.